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  FIRMAS: ELIANE MARÍA STUART GARCEZ CD
 
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Bibliotecología
Publicado el 21 de Marzo de 2007
 

Bibliotecarios e Pedagogos: uma integração necessária para suscitar nos alunos do ensino básico o desenvolvimento de habilidades e competências específicas à sociedade do conhecimento

Eliane Maria Stuart Garcez
Doutora em Mídia e Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina
Professora da Rede de Faculdades Integradas UNIVEST
Diretora da Divisão de Arquivo, Biblioteca e Museu da Escola de Saúde Pùblica da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina

Eliane Maria Stuart Garcez O artigo discute o poder da informação midiática, que pode ser um fator alienante ou um fator de inclusão/exclusão na sociedade contemporânea. De acordo com a literatura coexistem na sociedade atual vários tipos de sociedade, o que as diferencia são as visões políticas e de mercado, as quais são demarcadas pelas informações que veiculam. Segundo Debord (1997), MacGarry (1999), Braudrillard (1995) e NONAKA; TAKEUCHI (1997) têm-se duas sociedades na perspectiva alienante: a sociedade do espetáculo e a do consumo e duas na perspectiva de inclusão e/ou da era do conhecimento: a sociedade da informação e a do conhecimento, as quais se caracterizam por pontos fracos e pontos fortes, no que concernem ao tipo de informação que disseminam (Quadro 1).

Na perspectiva alienante, tem-se a sociedade do espetáculo, que tem como característica principal à representação, por meio de imagens, ou seja, aquilo que o emissor da informação ou o detentor do poder deseja transmitir. Nesse tipo de sociedade, inexistem contestações, diálogos e questionamentos, pois as informações são empurradas. Na perspectiva de Debord (1997), representa tudo que é mediado por imagens, tendo como características principais: a incessante renovação tecnológica; fusão econômico-estatal; segredo generalizado; mentira sem contestação e o presente perpétuo.

Ainda tem-se nessa perspectiva exclusiva, a sociedade do consumo, que se caracteriza pela venda de produtos, serviços e idéias, um modo de vida praticado no cotidiano das pessoas. Nesse tipo de sociedade, existem duas espécies separadas de objetos e estes sustentam a sua sobrevivência: uso/prestígio de bens, serviços e idéias, ligadas a uma forte função hierárquica, uma vez que existe uma tendência do ser para o ter e do ter para o parecer. (BAUDRILLARD, 1995).

Na perspectiva inclusiva, tem-se a sociedade da informação, que visa à democratização da informação. É a base estratégica para se avaliar uma informação nova e/ou preencher uma lacuna de conhecimento. Pressupõe coleta e capacidade de processar informações, já que a informação é um conjunto de dados providos de significados. Fornece um novo ponto de vista para interpretar fatos/fenômenos, é à base do conhecimento. (MCGARRY, 1999).

Nessa mesma perspectiva, tem-se a sociedade do conhecimento. De acordo com NONAKA; TAKEUCHI (1997), o conhecimento é construído por meio de informações com significados, articulados às experiências, a um contexto, a ação e interpretação. Compõe-se de saberes empíricos, ligados às vivências e experiências; da metafísica, através da dedução e da indução e do conhecimento científico, de forma lógica e sistemática, atrelado á interpretação e uma ação. Por isso, como a informação é a base do conhecimento, esse não poderá ser construído sem a informação, já que fornece um novo ponto de vista para interpretar fenômenos.

Por tudo isso, defende-se que na escola, especialmente no ensino básico (educação infantil, séries iniciais e ensino fundamental) é necessário que bibliotecários e pedagogos, possibilitem e/ou suscitem nos alunos habilidades e competências específicas à inclusão na sociedade do conhecimento. Dessa feita, este artigo procura identificar quais habilidades e competências, são necessárias para que alunos do ensino básico possam adentrar na sociedade do conhecimento?

HABILIDADES E COMPETÊNCIAS EXIGIDAS NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO

Para se discutir o que são habilidades e competências requeridas pela sociedade do conhecimento, busca-se sustentação em Kuhlthau (2002), que preconiza como fundamentais as habilidades de localização e interpretação. Porém, neste estudo, discute-se apenas a habilidade de localização. No que se refere às competências tem-se Thillent (1999) e Bertolino (1999), que definem que as competências são formadas a partir do desenvolvimento da consciência, conscientização e reflexão crítica.

Para esses autores, na sociedade do conhecimento, os sujeitos têm que se desenvolver ativamente, de forma flexível, críticos e autônomos em virtude da produção acelerada de informações e da própria globalização. Para tanto é necessário que se desenvolvam co habilidades investigativas (de localização da informação) e competências de raciocínio e de interpretação (desenvolvimento da consciência, conscientização e reflexão crítica).

Na habilidade investigativa, tem-se o processo de busca, seleção, leitura, análise e síntese de informações. Na competência de raciocínio, o desenvolvimento da consciência, da conscientização e da reflexão crítica. Já a competência de interpretação se desenvolve quando o aluno passa a comparar informações, a processá-las em tempo real, discutir e escrever sobre o que leu referente a um tema problema.

Para o desenvolvimento dessas habilidades e competências, aponta-se a importância de um trabalho integrado entre bibliotecários e pedagogos, junto aos alunos do ensino básico. O primeiro intermediando a informação e o segundo, a aprendizagem dos alunos, suscitando-lhes habilidades e competências para que possam, em meio à velocidade, diversidade, volume e superficialidade da informação, ter a capacidade de refletir criticamente a respeito das informações que lhes são empurradas, o que poderá facilitar nesse exercício, a flexibilização para as questões do cotidiano em que se inserem, já que são fatores preponderantes de acesso à sociedade do conhecimento. (Figura 2).

Desse modo, destacam-se as características extrínsecas da informação, que devem ser levadas em conta no momento da busca por informações (habilidade de localização), pois é necessário selecionar e conhecer fontes de informações disponíveis em toda a sua diversidade, superficialidade, volume e velocidade com que se apresentam, para que os alunos estejam capacitados para analisá-las, interpretá-las, compará-las e sintetizá-las, uma vez que se reproduzem de forma muito rápida. Tudo isso fará com que possam entender melhor o ambiente informacional de maneira mais abrangente, protegendo-se dessa feita dos fatores alienantes e/ou se desenvolverem com maior flexibilidade para o acesso à sociedade do conhecimento.

No momento em que habilidades e competências são suscitadas nos sujeitos podem proporcionar autonomia e flexibilidade para escrever, observar, comparar, calcular, antecipar, planejar, julgar, avaliar, decidir, comunicar, informar, explicar, argumentar, convencer, negociar, adaptar, imaginar, analisar e entender, ou seja, refletir criticamente sobre tudo que ouve, vê ou lê, constroem-se competências para lidar com causas nobres, ter qualidade de vida, suprir necessidades e expectativas para fazer ouvir o direito ou a razão, como também, para fins menos nobres, para ganhar uma decisão, para influenciar os outros, para fazer calar um adversário, para escapar à sanção, para ocultar um engano, para desviar a atenção, para pedir um favor, para brilhar na sociedade, para deixar o outro em dificuldade, para barganhar, para ganhar tempo, para enxergar demais, para ser mais feliz ou infeliz, pode conduzir a uma maior carga de responsabilidade social, assim como ameaçar a ordem social. Segundo Perrenoud (1999), até então, a escola não tem se aventurado nesse campo minado e costuma acautelar-se, propondo formas bastante etéreas, com conteúdos, contextos e riscos identificados e bem planejados.

Desse modo, o novo educador exigido pela sociedade do conhecimento está sendo desafiado a criar grandes projetos aliados à pesquisa, orientando os alunos na busca por informações, selecionando-as e utilizando-as, articulando o conhecimento investigado com a realidade vivida. Precisa estar preparado para ser pesquisador dinâmico, avançar para o futuro é dominar as informações, assim, tornando-se novamente figura essencial nesse processo.

Frente a essas constatações, destaca-se o fator seleção crítica de conteúdos na escola, especialmente, quando aliada à participação efetiva dos alunos nesse processo, em relação às notícias ou informações transmitidas na própria escola e nos meios de comunicação, já que há muito lixo informacional e notícias veiculadas de forma errônea. Também não faltam encantadores de palavras para tirar proveito, seja econômico, religioso ou ideológico. Enfatiza Gadotti (1998), o fim da comunicabilidade humana não é explorar o outro, tirar proveito, comunicar para manipular, mas compreender melhor o outro, a si próprio e ao mundo.

Os educadores (bibliotecários e pedagogos), devem estar antenados com as notícias que são veiculadas nos meios de comunicação, assim como, leituras diárias de jornais e de revistas, dentro e fora da sala de aula, como suporte de disciplinas convencionais. Desse modo estarão mais preparados para mediar os alunos no desenvolvimento da percepção crítica, no que diz respeito ao seu meio ambiente, orientando-os a refletirem criticamente, produzindo sínteses do que observam, vêem ou lêem.

Para confirmar informações, basta que o aluno leia comentários informativos sobre um mesmo fato, em meios diversificados, ou que seja orientado a fazer pesquisas sempre que tiver dúvidas quanto a um fato ou a uma informação, ou até mesmo procurando informações em vários meios televisivos, no que se refere a uma mesma notícia ou comentário. Dessa forma, estarão oferecendo subsídios para que os alunos possam identificar e discutir divergências de opiniões. Além disso, poderão confrontar padrões de referências sociais que recebem da família, da escola e dos meios de comunicação.

Desta feita, desenvolve-se a consciência dos sujeitos da aprendizagem, por meio da percepção dos objetos, a conscientização, para compreender o objeto a partir do manuseio de várias fontes de informação, de como se dão as transformações do mundo e os novos modos de organização das economias e dos espaços, integrando vários saberes que levarão o sujeito a refletir criticamente sobre o que se passa em sua volta. E é a partir do entendimento da realidade global que se vai proporcionando elementos para se questionar a realidade e refletir de forma crítica sobre a mesma, construindo competências e habilidades técnicas para o acesso à informação, através de browsers (ferramenta da pesquisa), interfaces e metodologias apropriadas para tais fins.

Da mesma forma, desenvolver a conscientização, em relação às características extrínsecas e intrínsecas das informações veiculadas, ou seja, o volume, a velocidade, a diversidade, a superficialidade da informação (extrínsecas) e a capacidade de processar informação em tempo real (intrínseca), para integrar informações através da reflexão crítica, selecionando e analisando seus conteúdos, a fim de que sejam incorporados aos saberes na construção de novos conhecimentos. (Quadro 3).

Na sociedade do conhecimento, o traço mais visível é a capacidade de dirigir-se com autonomia, adquirida por meio de pesquisas e da reflexão crítica, já que se pode construir uma sociedade mediante o manejo do conhecimento, gerindo-o pelas próprias mãos.

Para tanto, a arma mais eficaz é o acesso à informação, pois a maior barreira está na alienação acerca da necessidade de buscar a aprendizagem para agir em prol da mudança na realidade social. Assim, vislumbra-se a combinação de reflexão da informação com destreza, para acessá-la e explorá-la, pois educar é mais do que produzir conhecimentos. É incentivar o desejo do desenvolvimento contínuo, mediando o processo da transformação social. Nessa óptica, considera-se que a reflexão de informações em prol de uma ação é a chave para o acesso ao conhecimento, e que a busca e a reflexão sobre as informações que são empurradas e puxadas devem estar interligadas às características extrínsecas e intrínsecas da informação, em situação de resolução de problemas, visto que é a chance que o aluno do ensino básico terá para testar suas idéias e construir seu próprio conhecimento.

Segundo Silveira e Abath (2002), o simples fato de se disponibilizar uma imensidão de informação não quer dizer que seja suficiente para provocar a inclusão de sujeitos ao acesso ao conhecimento, por três razões; primeiro, pela superficialidade que a informação possa representar; segundo, pela dificuldade de processar informação; e, por último, a falta de consciência reflexiva crítica para agir e para mudar a realidade social. Portanto, a orientação para desenvolver a capacidade de se informar, com consciência das informações que são empurradas, é imprescindível, aliada à destreza para acessá-la, explorá-la e processá-la.

Desta maneira, se inter-relaciona o que se aprende com o meio vivencial, adquirindo e/ou desenvolvendo a consciência (percepção dos objetos com consciência), conscientização (compreensão do objeto a partir de várias fontes de informação), de como se dão os novos modos de transformação e os novos modos de organização das economias e dos espaços, bem como a capacidade de refletir criticamente sobre tais informações, tendo a capacidade de processá-las em tempo real.

CONCLUSÕES

Dois pontos de reflexão são necessários, neste capítulo final, o primeiro deles, a melhoria da qualificação profissional dos educadores, bibliotecários e pedagogos, para que estejam aptos a atuar como orientadores nesse processo de construção do conhecimento, orientando os alunos do ensino básico, de forma sistematizada, para reformular continuamente seus saberes e transformá-los em conhecimentos.

Um segundo ponto, a pesquisa é ferramenta fundamental a ser vivenciada pelos alunos, uma vez que tal procedimento é essencial para prepará-los a aprender, desenvolverem-se como sujeitos plenos, ampliarem horizontes, refletirem criticamente sobre informações que lhes são empurradas e puxadas, na adoção de atitudes de disponibilidade, atualização e flexibilidade para mudanças, para que possam ter autonomia na sociedade do conhecimento.

Enfim, para facilitar a inserção dos alunos em seu meio vivencial, para que tenham um papel de construtores do próprio conhecimento, a orientação tem que estar ligada ao entendimento do mundo no contexto da globalização e da identidade, ou seja, as relações sociais, econômicas, culturais e de trabalho.

REFERÊNCIAS

BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995.

BERTOLINO, P. et al. As emoções. Florianópolis: Nuca Edições Independentes, 1998.

DEBORD, G. A sociedade do espetáculo: comentários sobre a sociedade do espetáculo. 2. reimp. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

GADOTTI, M. Pedagogia da práxis. 2. ed. são Paulo: Cortez, 1998.

KUHTCHAU, C. Como usar a biblioteca na escola: um programa de atividades para o ensino fundamental. Belo Horizonte: autêntica, 2002.

MCGARRY, K. O contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória. Brasília: B. de Lemos, 1999.

NONAKA, I; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999.

SILVEIRA, J.R. da; ABATH, R.J. Informação e responsabilidade social: um caminho para a inclusão. In: CONGRESO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 20., 2002, Fortaleza. Anais... Fortaleza, 2002. 1 CD-Rom.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

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